quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

DESATADOR DE NÓS, por João Maria Ludugero


DESATADOR DE NÓS,
Autor: João Maria Ludugero

Eu encho o peito, 
orgulho-me sim, deveras
mesmo que seja do meu jeito
só pra te dizer, sem demora,
que não tenho vergonha alguma
de repetir, de dizer sem o não, 
o tão fadado ditado, 
aquele que propaga
que homem que é homem 
também chora, porque não?

Tenho sim, alguns pudores 
mas largo tudo, e decidido 
parto logo ao teu encontro
só pra secar teu rosto na praça
só pra não vê-la cair em pranto
abro meu coração, na raça
sangro assim feito açude cheio

Desabo no teu colo quente
eu me acabo na tua boca nervosa
só pra atingir teu céu aberto
e arranhar nosso ego imposto
só pra ficar pronto
a tempo de voar contigo
pra qualquer lugar,
seja inferno ou paraíso
A desatar os cegos nós! 

Caso contrário, 
admito com todas as letras
prefiro o purgatório em chamas
onde o suicida, a cabo da vida,
também sua, 
inflama e se dana,
a pingar seus suores 
na eterna coivara

Mas se não vieres 
a desatar meus ais,
se não mais sentires nada 
nem solidão de ser só dois,
o que mais importaria, de fato,
se o mundo acabasse por desabar
sobre as nossas cabeças?

Não tenhas dúvidas
que só restaria mera página
de estampada notícia 
do adeus, no jornal diário 
ou como manchete global
na TV a cabo!

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