domingo, 5 de janeiro de 2014

FLORIPA: DE ANDRAJOS E ANDANÇAS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 

 
 
 
FLORIPA: DE ANDRAJOS E ANDANÇAS, 
por João Maria Ludugero

Ó rosa, porque trombuda 
não percebes além do muro 
que ora à rua perambulo 
em andrajos em andanças 
trazendo a alma nos olhos, qual é a sua? 
Num cair de tarde desses à-toa 
bem-te-vi numa boa onde moras toda prosa, 
por cima do mundo de Floripa.

Pensei em colhê-la só para mim, 
mas matutei cá com meus botões, 
como furtar o perfume da flor 
se amanhã poderei revivê-la 
por inteiro a me desabrochar 
em seus clarões em forma de essências?  
- Mas o futuro vela... 
E, fielmente, colhe as horas 
mais belas do presente 
e delas tece o que fica 
além do efêmero!  

Pensei um pouco mais alto, 
fiz-me girassol a entrar no clima, 
despontando além do jardim 
querendo acordar ensolarado, 
revelando as pegadas e os passos 
de um poeta louco de pedra 
de se atirar na lua, em néctares 
e uivar feito cão doido, 
não nego confesso, feroz, furioso e feliz  
por saber que tenho uma casinha 
como habitat: teu coração.  

E, assim, a gente poder ser cúmplice, 
a domar a fera que nos traz no laço, 
na régua e no compasso,  
o amor sem medida nem cortar fita 
para desatar nós e cabrestos 
que no peito apertam,  
de longe ou de  perto, 
Em Jurerê, Campeche ou no Costão do Santinho
sem carecer encurtar as rédeas, 
sem miserar o triunfo que sorri, incerto, 
que logo será fumo, será pó,  
será cinza, e mais nada...

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