segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

MEMÓRIAS DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS (I), por João Maria Ludugero


MEMÓRIAS DA VÁRZEA DAS ACÁCIAS (I),
por João Maria Ludugero.

Enquanto um e outro veículos atravessavam a rua grande
Nem céleres nem loucos ou capengas
Para chegar a qualquer paradeiro,
Na Labuta, com frenesi e afinco, 
Arteiro, levado da breca,
Na compenetrada peleja, 
Sem assanhar os pelos da venta,
Ludugero chupava manga...

As carroças passavam, dentre fuscas, jipes 
sem esquecer de lembrar dos carros-de-bois.
A vida passava em resposta ao tempo.
Mas na labuta, animado com os ares,
Como quem já queria tudo com a lida,
Ludugero chupava manga...

A Joaninha Mulato nunca reclamava, mas orientava e nos benzia
De todos os quebrantos da vida, com fé e tamanho carinho;
Hernocite com sua estirpe de requintada elegância preparava 
Os rascunhos da aula na Escola Dom Joaquim de Almeida,
Enquanto sua irmã comadre Oneide Maurício rebatizava 
Mais um varzeano sob as Bênçãos de São Pedro Apóstolo. 
E tantos e quantos Zecas, Jocas, Dedés, Necos e Craúnas
Xingavam pelas quatro bocas, antes da pelada na Vargem;
O Joaquim de Do Carmo nem me diga, urrava, mas de alegria,
Com todas as estripulias que Pedro de Neve se atinha em algaravias. 
A dona Elisa, mesmo que estivesse com dor de barriga
De tanto comer cocadas, puxa-puxas e quebra-queixos,
Nem se ligava, ficava a correr por debaixo da algarobeira
Da praça do Encontro, a fazer seus biscoitos, soldas e sequilhos
Sem esquecer de ainda querer arranjar folguedo 
Com Vira de Lucila de Preta ou com Magnólia de Antonio Horácio,
Enquanto o preço da tapioca estava pra lá da massa,
Os cães latiam aos esbaforidos quilates...arre!
Os preás de Suetônio de Zidora Paulino
Ganhavam as matas do Vapor de Zuquinha,
Todas as dores e alegrias se evaporavam no ar, 
Enquanto, já assanhando os pelos da venta,
Ludugero chupava manga, a gosto e contente
Nos Ariscos e Seixos lá da Várzea das Acácias!

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