terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

RETRATO FALADO: ODILON LUDUGERO – MEU PAI, por João Maria Ludugero

RETRATO FALADO: ODILON LUDUGERO – MEU PAI, 
por João Maria Ludugero

Na palavra escrita se empolga
Na lida incessante se eleva,
Acredita que ler traz bem-estar
À saúde e aos olhos
(À semelhança de outros
Que acreditam mais do que vêem e vivem
Nas árvores, nos pássaros, na vida)
Elegeu, durante tantas décadas,
Algumas verdades inenarráveis
Que chegam a partir do espírito…

Também à maneira de um Xamã
Não acredita só no que ver
(Aliás, vislumbra solenemente a alma)
Mas toda vez, elege o Menino Jesus
Que tanto pode ser o seu médico
(Compreende suas dores – sábio para sempre)
Alguém que lhe fala ao interior
Ou aquele que lhe diga apenas o que evolui de ouvir

Na memória auditiva de Xamã
Preserva frases imutáveis,
Válidas para todas as ocasiões
(Tantas vezes repetidas dentro e alto 
Até serem transformadas em verdade)

No plano dos afetos
Sempre recorda satisfeito
Dos seus pais: José e Dalila Maria da Conceição 
E dos vários irmãos, amigos e outros familiares,
Da primeira estrela-namorada, dona Maria Dalva,
Sua inesquecível e amada companheira definitiva
Os filhos e os netos estimados
E dos amigos da velha infância varzeana.

Algumas de suas paixões:
Fazer orações, rezar e ajudar ao próximo
conduzir ensinamentos e aprendizados,
Admirar passarinhos pela Várzea a dentro,
Vangloriar-se de seus inúmeros feitos,
Não aceitando que lhe falem da velhice
(nenhuma de suas mazelas, acredita,
dela seja decorrente)
Um homem satisfeito, de bem com a vida,
De pensamento concreto, corajoso sempre
(o que nós vemos das coisas são as coisas)
O mundo resume-se à sua ética 
Particularista e particularíssima

(O mundo – o corpo e o Amor– como vontade do espírito).

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