quinta-feira, 20 de março de 2014

O HOMEM POR INTEIRO, por João Maria Ludugero


O HOMEM POR INTEIRO,
por João Maria Ludugero.

Hoje não tenho vergonha
De dizer que choro. E choro mesmo!
Não me importa o pensar torto
De outrem a dizer que é sensível 
O homem que gosta de flor.
Elas me fascinam, as flores.
Eu dou o braço a torcer,
Confesso: quando preciso, 
Debulho-me em lágrimas.
Quando sinto saudade, 
Marejo os olhos ao cair da tarde. 
Eu me assumo: sou poeta!
Eu gosto da vida. Eu sou de carne e osso.
Eu tenho um coração que sente. 
Nunca minto pra mim mesmo:
Se carecer, boto a boca no mundo
E choro, doido por um cafuné.
Choro por um dengo, por um beijo
Pra curar meu coração machucado.
E funciona: Acabo menino de bem com a vida
A cavalgar pelas calçadas da rua grande,
Querendo roubar um pingente de lua
Só pra enfeitar teu colar de prata 
Feito homem inteiro a correr
Num galope rasante a encostar
Minha vida na tua, sem medo
De que tudo venha desabar amanhã,
Ao desapear da tal burrinha da felicidade!

Um comentário:

Graça Pereira disse...

Diziam (penso que mudaram de ideia...) Um homem não chora!
E porque não há-de chorar? Um homem não é uma parede,uma montanha... tem uma alma sensível perante a vida , as pessoas e as coisas!
Diante das lágrimas de um homem ou de uma mulher...eu inclino-me com todo o respeito!
Um abraço amigo
Graça