domingo, 24 de agosto de 2014

DESMUNICIAMENTO, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DESMUNICIAMENTO,

por João Maria Ludugero

Longe, bem longe a léguas e léguas da Várzea,
Disparo os pés nas rotas da lida, desde o interior,
Ora meto as mãos nas algibeiras e não acho nada.
Outrora tínhamos tanto para dar um ao outro;
Era como se todas as flores fossem joias minhas:
Quanto mais adejava tua alma mais havia nectar para te ninar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são lumes verdes.
E eu sequer pairava em dúvidas para acreditar nisso.
Acreditava, bem antes, de manjar o mote do amor tecido,
Porque ao teu lado, dia-após-dia, depois de tantos sóis,
Todas as coisas eram mais iridiscentes e tão verdadeiras.
Nem carecíamos de qualquer arma para abater o medo da cuca,
Porque sempre havia um ávido raio repentino e destemido em lumes

Desses que, bem apanhados, fazem-nos assanhar até os pelos da venta...

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