terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ACORDES DE SONHOS, por João Maria Ludugero

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ACORDES DE SONHOS,
por João Maria Ludugero. 

Sob a mira do interior, os passarinhos cantam... 
Longe os escuto, mas os trago aninhados no meu coração... 
O horizonte azul só é o nicho de um novo porvir, 
se o povoamos em acordes de sonhos. 
Na penumbra da noite escura, estrelas cintilantes o guardam... 
Nos dias de chuva, o esplendor de um arco-íris o revela...
Tecer sonhos é cavar na lida o alvorecer de um novo tempo...
É preciso sonhar... É preciso lutar...
Sonhar, lutando é navegar, a correr dentro e alto, sem medo da cuca.
Navegar é viver na loucura de ser e estar, na necessária peleja
buscando, dia-após-dia, um sorriso além...
Além do suor e das lágrimas salobras.
Além do tédio e do desalento... há um disparado sorrir, 
Um sorriso tecido de palavras e silêncios... Rio a desaguar 
de cantos e poesias... de travessuras, travesseiros e travessias... 
Um sorriso levantado pela vida que é feito de alvoradas, de amanhãs 
que desejam quebrar o relógio e renasceram no aqui e agora do nosso tempo...
Nosso tempo é frágil, volúvel e cruel...
Outros tempos teimam e almejam a poeira do mundo, 
as pedras do caminho, pois, sonham com a vida transformada...
Outros tempos querem ser paridos...a contento.
Um tempo de ternura e não-violência...
Um tempo de solidariedade e justiça social...
Um tempo de trovas, serestas e cantigas; campinas floridas 
e riachos cantantes no caminho onde água, terra, fogo e ar 
perambulam para o mar abraçando e triscando 
a incendiarem de sonhos o horizonte azul...
Viver é perigoso, canta o poeta João Ludugero...
A vida endureceu, petrificou-se e, demente, agoniza...
Disseram e acreditamos: no poder absoluto do agora...
Mas, ninguém vive alijado do canto das manhãs 
que são profecias encantadas do amanhã que engravida a vida, 
sendo, contudo, abortados pelas cinzas que eternizam as dores do presente, 
excluindo do horizonte as estripulias da História...
Deixemos a vida seguir para o mar...
Abramos as cancelas do destino...
Sonhemos. Lutemos... Acordemos.
Naveguemos: navegar é preciso...
Embora, não baste navegar à deriva... 
Naveguemos, cultivando no hoje os brotos do amanhã... 
Assim, seguiremos... Seguiremos sabendo que sonhamos 
e lutamos por um outro mundo possível... 
Pois, já não conseguimos viver sem o cais da alegria geral... 
Alegria que se achegue na primavera de todos 
e para todos os acordes de sonhos inenarráveis...
Só, assim, a vida deixará de lastimar pelos sonhos 
que lhe são diuturnamente furtados... Acorde e lute, 
avante! Ainda há chance!!!

Nenhum comentário: