terça-feira, 7 de janeiro de 2014

INVERNO, por João maria Ludugero

INVERNO, 
por João maria Ludugero

QUE VENHA O INVERNO...
VISTO UM CASACO RETRÔ
OU UMA CAMISA DE FORÇA QUE SEJA,
POIS NÃO FAZ SENTIDO NÃO SER LOUCO.
ABRO MÃO DO CONTROLE REMOTO,
USO AS PERNAS, LEVANTO E MUDO
NÃO ME CALO, BERRO
LANÇO FARPAS, 
QUEIMO AS ACHAS
E AS ERVAS-DANINHAS.
LEVANTO AS VELAS... ACENDO-ME,
APARO AS ARESTAS, EIRAS E BEIRAS 
A TEMPO DE SÓ QUERER 
QUEM ME INFLAME AO CALOR.
DEPOIS DE TANTO VERÃO
QUE ME VENHA O INVERNO 
EU SOU TODO ABRAÇO,
MEIA QUENTE E FOGUEIRA.
SÓ SEI QUE UM DIA O FRIO CONGELA TUDO
E RESTARÃO APENAS
O PÓ, A POEIRA, 
E O VAPOR DAS HORAS,
NEM ANDOR, NEM ANDANÇAS
NEM ANDORINHAS!

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